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PENTECOSTES: LÍNGUAS DE FOGO PARA UM MUNDO DIVIDIDO

Jerusalém estava cheia de vozes diferentes, povos diferentes e histórias diferentes quando, segundo os Atos dos Apóstolos (cf. At 2,1-11), o Espírito Santo desceu sobre os discípulos como línguas de fogo. O que poderia ter sido apenas mais um cenário de divisão transformou-se em experiência de comunhão: homens e mulheres de diversas culturas passaram a compreender a mesma mensagem de esperança. Séculos depois, em um mundo marcado pela idolatria do dinheiro, pela pobreza, pelos extremismos e pelas polarizações, Pentecostes permanece atual. Mais do que recordar um acontecimento religioso, celebrar o Espírito Santo significa reconhecer o chamado da Igreja para levar ao mundo a alegria de Cristo ressuscitado e responder, com coragem, às feridas do nosso tempo.

Hoje, o Espírito Santo continua a descer sobre a humanidade para dar coragem aos cristãos diante das feridas do nosso tempo. Vivemos em uma sociedade que frequentemente adora o dinheiro como um deus, colocando o lucro acima da dignidade humana e tornando comum a exploração e a desigualdade. Além disso, a polarização e os extremismos fazem com que o outro seja visto como inimigo, enquanto a pobreza passa a ser tratada com indiferença. Nesse cenário, a Igreja recorda, como ensina a Gaudium et Spes, que ela não pode permanecer distante das dores humanas, mas deve caminhar junto aos homens e mulheres do seu tempo, anunciando a esperança e a alegria de Cristo ressuscitado (cf. GS, 1). Assim, somos chamados a permitir que o fogo de Pentecostes continue ardendo no mundo contemporâneo. Tocada pelo Espírito Santo Paráclito, a Igreja deve sair de si mesma e ir ao encontro das feridas humanas, como ensinava o saudoso Papa Francisco ao falar de uma “Igreja em saída” (cf. Evangelii Gaudium, 20). Levar a alegria do Ressuscitado significa reconhecer Cristo presente nos pobres, nos esquecidos e nas situações mais difíceis do nosso tempo. O Espírito Santo rompe dos nossos olhos as escamas do preconceito, da indiferença e do medo, chamando a humanidade à reconciliação e à fraternidade. Assim, Pentecostes deixa de ser apenas liturgia e torna-se realidade viva sempre que muros são derrubados, divisões são vencidas e o amor faz nascer novamente a unidade.

Carlos Henrique (Propedeuta)

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