Chegar a um novo processo eleitoral é oportunidade de esperança diante das possibilidades de transformações sociais que se descortinam no horizonte. Sim, somos movidos pela “esperança que não decepciona” (Rm 5,5). Sonhamos com um mundo novo, a ser edificado com o processo de participação cidadã, para a escolha de pessoas comprometidas com o bem comum e a justiça social, capazes de promover políticas públicas que contribuam para melhorar as condições de saúde, educação, alimentação, moradia, urbanismo, meio ambiente…
Lutamos juntos pelo respeito à dignidade humana, garantido as condições mínimas para se viver dignamente, a partir de um desenvolvimento integral que satisfaça as necessidades básicas das pessoas, das famílias, das comunidades e de seus territórios, cuidando da Casa Comum com responsabilidade socioambiental. É esse o caminho do verdadeiro progresso que almejamos, orientado por exigências éticas e evangélicas.
A Igreja Católica não indica candidatos nem partidos políticos. Ela apresenta critérios, mediante os quais a pessoa possa escolher livremente seus/suas candidatos/as para os vários cargos em disputa. “Movida pelo Evangelho e pela missão de anunciá-lo. (a Igreja) promove a vida, a dignidade humana e serve à construção do bem comum. Ela parte da fé em Jesus Cristo e da convicção, reafirmada pela Doutrina Social da Igreja, de que a política, quando orientada pela ética, constitui uma das mais elevadas formas de caridade” (CNBB, mensagem ao povo brasileiro – eleições, 2026).
Neste pleito eleitoral, vamos eleger nossos/as representantes no Poder Legislativo e Executivo, no nível estadual e federal. Para que se possa buscar o perfil de cada candidato/a, é preciso entender a missão de cada cargo público a ser escolhido. É preciso indagar e buscar respostas: o que faz um deputado estadual? E o deputado federal? O que caracteriza a função de um/a senador/a da República? Por que serão eleitos/as dois/duas senadores/as dessa vez? Quais são as atribuições de um governador de Estado? E o presidente da República?
No entanto, não é suficiente conhecer as funções para as quais vamos eleger os/as candidatos/as. É preciso conhecer a vida, a história, o passado, a formação e os compromissos de cada candidato/a. Vale a pena indagar: com quem esse/a candidato/a está comprometido/a? O que ele/a fez em outros mandatos? Se já teve mandato de deputado/a ou senador/a, ou, ainda, para cargos do Executivo, do lado de quem ele/a estava? Que tipo de interesses ele/a representou? Quais são as suas propostas?
Também não basta conhecer as funções e os/as candidatos/as. É preciso conhecer o partido que ele/a está filiado/a. Esse partido é a favor ou contra as demandas populares? Esse partido defende políticas públicas para garantir o desenvolvimento integral do ser humano? O partido desse/a candidato/a defende os direitos dos mais necessitados e a soberania nacional ou defende os interesses de empresas exploradoras? Defende o respeito pela Ecologia Integral e promove os direitos socioambientais ou é favorável à degradação ambiental, beneficiando o lucro fácil, a exploração dos territórios e a dizimação de comunidades e de pessoas em situação de vulnerabilidade?
Realmente, não é fácil refletir sobre tudo isso: cargo a ser preenchido, histórico do/a candidato/a e partido político. Por isso, é preciso acompanhar de perto o processo eleitoral, conversar com pessoas de confiança, buscar informações e não se deixar ludibriar por propagandas enganosas. Num mundo de Inteligência Artificial e Fake News, é fácil ser enganado. Os “filhos desse mundo” estão cada vez mais espertos e quase sempre enganam os “filhos da luz” (cf. Lc 16,8). Pior ainda é quem se deixa comprar, quem vende o seu voto… Conhecemos o ditado: “voto não tem preço, tem consequência”.
Finalizamos com um forte apelo dos Bispos do Brasil, que são os pastores do Povo de Deus: “Convidamos cada eleitor e eleitora a assumir sua responsabilidade. A abstenção não é a melhor escolha. O discernimento cristão exige olhar não apenas para promessas de campanha, mas, principalmente, para a história de vida dos candidatos e as consequências dos compromissos assumidos. O Brasil necessita reforçar a capacidade de construir pontes, promover encontros e cultivar a amizade social” (CNBB, mensagem ao povo brasileiro – eleições, 2026).
Que o nosso voto seja responsável, consciente, gratuito e completamente livre. Não nos deixemos ser enganados!
Que possamos construir pontes, superando toda polarização e divisão em nossas famílias e nossas comunidades!
Dom Geraldo dos Reis Maia
Bispo de Araçuaí

