Segundo o IEPHA (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais), em julho de 2013 a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Chapada do Norte foi registrada como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais. A celebração tradicionalmente ocorre no segundo domingo do mês de outubro e transforma o pacato município do médio Jequitinhonha pela materialização da fé, em um momento de devoção e de alegria. A Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos reúne milhares de pessoas vindas dos mais distantes lugares para saudar a Virgem do Rosário. São atraídos para o local devotos, mascates, moradores da cidade e da região, turistas e tantos.
A celebração ocorre desde o século XVIII, como forma de devoção dos membros da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, Libertos e Cativos, da Freguesia da Santa Cruz da Chapada, antigo nome da Irmandade do Rosário de Chapada. A festa, como tantas outras que ocorrem pelo interior de Minas Gerais e do Brasil, tem ascendentes na cultura afro-brasileira e na história de resistência dessas populações. Os valores próprios do sincretismo religioso, da oralidade, da culinária e da musicalidade são elos próprios das populações negras que são fundamentais na história e na formação de Minas Gerais1.
Durante os dias da festa, há alguns momentos marcantes como: a) novenas: com cantos em latim, meditação da palavra e louvores à Senhora do Rosário, é um momento característico da fé e tradição do povo de Chapada do Norte- MG conservado há séculos; b) quinta-feira do angu – com o característico “tambor do rosário” que sai, à tarde, da igreja do Rosário e conta com a presença de tamborzeiros e congadeiros que cantam pelas ruas da cidade, o momento culmina na casa da rainha com a tradicional distribuição do angu; c) Lavação da Igreja: representa os fiéis que, na quinta-feira pela manhã, de maneira simbólica, buscam água no córrego e lavam a Igreja, imagens e objetos como preparação imediata para os dias da festa; d) Leilões: momento de alegria, partilha e convivência com leilões na casa do rei e da rainha; e) Buscada de Nossa Senhora: no sábado pela manhã, cantando e celebrando, o congado, tamborzeiros e membros da Irmandade do Rosário junto a muitos devotos, vão “buscar a imagem de nossa senhora” no rio. Em seguida, conduzem-na até a Igreja para, posteriormente, levar rei e rainha às suas respectivas casas; f) Mastro a cavalo: após o último dia da novena, no sábado à noite, cavaleiros caracterizados representam a batalha de Lepanto onde os cristãos vencem por intercessão de Nossa Senhora do Rosário. Há diálogos, levantamento da bandeira de Nossa Senhora e fogos; g) Cortejo e Missa: no domingo pela manhã, com a presença da banda filarmônica e congado, os reis são conduzidos pelo cortejo até à igreja do Rosário onde acontece a missa solene que, em 2025, foi presidida por Dom Geraldo dos Reis Maia, Bispo Diocesano. Após a missa, há a distribuição de doces na casa do rei; h) Procissão e coroação de Nossa Senhora: no domingo à tarde, o “reinado” conduz os reis até à igreja do Rosário. Em seguida há a procissão pelas ruas da cidade, terminando com a coroação de Nossa Senhora na Igreja do Rosário; i) Posse dos novos reis: na segunda-feira, após a subida do reinado, há a buscada do cofre, início do recebimento de anuais, devotos e filiação de novos irmãos na Irmandade de Nossa Senhora do Rosário. À tarde, há a descida do cofre e a missa onde são empossados os reis para o próximo ano. Por fim, há a descida do reinado e conclusão das atividades com a condução dos reis às suas casas.
Notícia: Pe. Frei Thales Ryan de Carvalho, OSA
