abril 23, 2026
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A PEDRA REJEITADA TORNOU-SE A PEDRA ANGULAR

O Mistério da Semana Santa nos conduz ao coração da fé cristã: o amor que se entrega até o fim e a vida que vence a morte. Entre as imagens mais fortes da Sagrada Escritura, ressoa com vigor aquela proclamada no salmo: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular” (Sl 118,22). Nela, a Igreja reconhece o próprio Cristo, rejeitado pelos homens, mas exaltado por Deus.

Jesus foi desprezado, condenado e levado à cruz. Aos olhos do mundo, parecia derrotado; aos olhos da fé, porém, sua entrega foi o fundamento de uma nova esperança. Aquele que foi colocado à margem tornou-se o centro. Aquele que foi humilhado foi elevado. Sua cruz, sinal de dor e fracasso, transformou-se em sinal de redenção e vida.

Ao contemplarmos a Paixão, somos convidados a perceber que Deus age de modo surpreendente. Onde o ser humano vê rejeição, Deus faz nascer salvação; Onde há sofrimento, Ele planta a semente da glória. Cristo, a pedra rejeitada, sustenta agora toda a construção espiritual da humanidade redimida.

Sua ressurreição não é apenas um evento do passado, mas uma realidade que continua a transformar vidas. Nela, encontramos a certeza de que nenhuma dor é inútil, quando unida ao amor de Deus. O Ressuscitado é a prova viva de que o mal não tem a última palavra e que a misericórdia sempre prevalece.

Durante esta Semana Santa, somos chamados a nos aproximar dessa pedra angular. Somos convidados a reconhecer, com humildade, que também nós, muitas vezes, rejeitamos aquilo que Deus nos oferece. E, ainda assim, Ele não desiste: sua misericórdia permanece firme, reconstruindo-nos e dando novo sentido à nossa existência.

Cristo é a pedra que sustenta nossa fé, que nos reergue quando caímos e que nos conduz à vida plena. Nele, encontramos não apenas redenção, mas também o verdadeiro caminho, a verdade que liberta e o amor que salva.

Que, ao contemplarmos o Crucificado e celebrarmos o Ressuscitado, possamos renovar nossa esperança, pois a pedra rejeitada continua a sustentar o mundo e, por sua infinita misericórdia, sustenta também cada um de nós.

Pedro Augusto Silva Juvêncio

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