Padre Carlos Cirelli foi uma pessoa muito importante na história do Município de Itinga, contribuindo imensamente para a formação espiritual e social da comunidade. Sua atuação como pároco assumida em 31 de janeiro de 1987 até novembro de 1994 destacou-se por um dinamismo raro, envolvendo os paroquianos em ações notáveis no exercício das suas funções pastorais e assim revelando-se um líder religioso ativo, comprometido e interativo que ouvindo os fiéis nas suas comunidades não se limitava às celebrações litúrgicas transformando a fé em ações comunitárias vivas.
Sua evangelização fluía naturalmente a partir do trabalho realizado que envolviam as comunidades em projetos comunitários que amparavam as famílias mais carentes, deixando um legado de união e trabalho participativo que demonstram que a fé se manifesta plenamente quando traduzida em serviço e presença junto ao povo.
Ele foi o responsável direto pela construção do Centro Comunitário da Associação dos Moradores de Itinga (AMAI). Com recursos adquiridos na Itália. Foi um grande incentivador do Centro Comunitário ACOBAPA de Porto Alegre, onde foram desenvolvidos muitos trabalhos voltados às necessidades dos moradores associados.
Como Projeto de Subsistência criou a Horta Comunitária adquirindo um terreno e irrigando o mesmo para que as famílias mais necessitadas pudessem fazer suas hortas tirando dali seu sustento e implementou junto com o Sindicato do Trabalhador Rural o Projeto Roça
Comunitária em Taquaral com irrigação e condições para que os filiados pudessem plantar e colher. Ainda nos Projetos de Subsistência, Padre Carlos implementou na Zona Rural Farinheiras comunitárias na Água Fria Fábrica, e na Comunidade do Humaitá. Implementou também um Engenho Comunitário com fabricação de rapadura na Comunidade do Córrego Novo.
Com recursos adquiridos montou também uma Oficina Mecânica totalmente equipada em um terreno cedido por Marinho Gusmão para que este, que atuava como mecânico, pudesse ensinar o ofício a jovens que necessitavam de trabalho que na época a cidade não oferecia. Desse projeto, até hoje, o município de Itinga e região podem contar com a atuação de muitos deles que montaram suas próprias oficinas e se destacam como profissionais notáveis.
Na área da saúde, Padre Carlos junto às Freiras que atuavam na época criaram a Pastoral da Saúde treinando e equipando Agentes Comunitários com aparelhos específicos para atuarem nas Comunidades Rurais e que assim pudessem atender melhor às pessoas necessitadas. Foi também o idealizador de um dos maiores sonhos da população itinguense quando, em 1992, lançou a Pedra Fundamental do Hospital Santa Edwiges. Com recursos mobilizados, construiu e equipou o prédio para que as pessoas tivessem atendimento médico e hospitalar. Hoje neste espaço funciona a UPA do Município.
Sua atuação na área social estendeu-se ainda à habitação, com apoio decisivo na construção do Bairro Mutirão do Porto Alegre. Empenhou-se pela infraestrutura básica através da implementação do sistema de abastecimento de água para o bairro Porto Alegre e o projeto de doação de equipamentos e caixas d’água para a instalação da rede de água para as pessoas mais necessitadas do bairro Planalto.
Em reconhecimento do seu amor e da dedicação à cidade, Padre Carlos recebeu o título de cidadão honorário de Itinga em 1996. Seu compromisso com o desenvolvimento humano e religioso como pastor que caminhou com a Igreja buscando igualdade e justiça social, vivenciando verdadeiramente o evangelho através de ações, deixa um legado de solidariedade que permanecerá vivo na memória de cada itinguense.
Estela Gomes da Silva e Clara Versiane Gusmão
