Cristo: Sua Páscoa, nossa ressurreição!

Estimados irmãos e irmãs! Vivemos a sempre nova alegria do tempo pascal. A Ressurreição de Jesus, razão de nossa fé, permeia a vida da Igreja de coragem e esperança na sua missão evangelizadora. Sabemos que “Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele” (Rm 6, 9). Feito Homem para redimir o gênero humano, Cristo Jesus franqueia novamente para nós as portas do Céu, dando a sua vida e selando em Si mesmo a Nova Aliança de Deus com a humanidade.

Cristo ressuscitou como “primícia dos que morreram” (cf. I Cor 15, 20). Ou seja, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, assumiu o mistério da morte como condição para a Ressurreição dos mortos. A morte não é mais uma maldição, castigo, ou paga pela condição pecadora do homem, mas uma passagem para a Vida Nova. Assim como o Batismo sepulta o homem para a vida em uma perspectiva meramente mortal, e ressuscita-o para a vida da graça, a morte é para nós como que uma “porta”, cujos umbrais atravessaremos para chegarmos até a Vida definitiva.

O filósofo alemão Martin Heidegger define o homem como um “ser-para-a-morte”; não apenas no sentido de finitude, mas de transformação. Conjugando este pensamento existencialista com o mistério da Ressurreição de Jesus, a própria morte é uma transformação! Em Cristo, o luto transformou-se em alegria; a aparente derrota transformou-se em vitória; e o que seria o “fim”, transformou-se em um novo começo.

Para iluminar o sentido da finitude humana à luz da Ressurreição, indica-nos São Paulo Apóstolo na sua epístola aos Romanos: “Se Cristo está em vós, embora vosso corpo esteja ferido de morte por causa do pecado, vosso espírito está cheio de vida, por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito que mora em vós.” (Rm 8, 10-11)

O Espírito que nos batizou e nos tornou filhos adotivos de Deus em Jesus Cristo, é o mesmo Espírito que nos dará um corpo glorioso para a Vida Eterna, conclusão da obra salvífica de Cristo, levada adiante pela sua Igreja. E como participamos do mistério da Redenção, formamos com Cristo “um só corpo” (Cf. I Cor 12, 12-14), do qual Ele é a Cabeça, e nós os membros. Ora, se a Cabeça ressuscitou e tem seu corpo glorioso, nós os membros (pedras vivas da edificação) também já participamos desse mistério! Pois somos chamados a esta vida da graça, na qual o Espírito imprime gradativamente na nossa finitude terrena sinais de uma infinitude gloriosa, para a qual caminhamos.

Também ressuscitaremos! Quando findar a nossa peregrinação terrestre, reuniremo-nos todos com Deus na nossa Pátria definitiva, com nossos corpos gloriosos, uma vez que em Jesus fomos sepultados para a “vida velha” pelo Batismo e somos chamados à Vida Nova. Cristo é o Primogênito da nova criação, que somos nós, sua Igreja! Ao caminharmos na Fé, na Esperança e na Caridade, damos um sentido redentor a todas as situações de nossa vida, inclusive àquelas em que parece ser ofuscada a nossa alegria. Como bem nos recorda o Papa Francisco:

“A esperança projeta-nos para um futuro certo, que se coloca em uma perspectiva diferente relativamente às propostas ilusórias dos ídolos do mundo, mas que dá novo impulso e nova força à vida de todos os dias.” (Francisco, Lumen Fidei, n. 57)

Como Igreja peregrina, somos chamados a ser sinal da vitória de Cristo sobre a morte (o “mal”). A Igreja é chamada a irradiar a luz do Cristo vivo e ressuscitado, a fim de que o mundo se deixe iluminar pela mensagem de vida do Evangelho. Quando atendemos à vocação de sermos “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5, 13-16), irradiamos o mistério da Ressurreição na vida das pessoas, atualizando-o nas situações concretas do nosso cotidiano e imprimindo este caráter transcendental da vitória de Cristo sobre a morte, que não é um evento apenas histórico, mas existencial. É para libertar o homem que Cristo ressuscitou!

Que neste tempo pascal, continuemos a nossa experiência de ressurreição mediante a renovação diária da nossa fé, à luz da Ressurreição de Cristo e seus frutos de vida para nós.

 

Seminarista Arley Patrik

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